NOOSFERA
   Admiro, cada dia mais, essa mulher. Ela poder falar aquilo que temos vontade e não conseguimos, seja por falta de espaço ou, alguns, por falta de coragem...

"MENTIMOS", OU: SOBRE COMO DESPREZAR O JORNALISMO VAGABUNDO DA CLASSE DOMINANTE

Por Marilene Felinto*

Reproduzo aqui, em parte do título, a sugestão de Fernando Morais para o jornal "Folha de São Paulo". Que o jornal crie também a coluna "Mentimos", para botar ao lado da sonsa "Erramos" e corrigir os arremedos de notícia que publica. O jornal, segundo o jornalista, fabricou recentemente uma notícia que envolvia seu nome.

Se tem uma coisa da qual eu me envergonho hoje é ter assinado meu nome, por doze anos seguidos, na água lamacenta das páginas de certa imprensa paulista. Não se trata de arrependimento, que eu olho com naturalidade - ainda que amarga - para as arapucas do destino. É vergonha mesmo, e um certo horror do tempo perdido - doze anos que não serviram par nada. O que me salva é não ser de fato formada na inútil carreira do jornalismo. Vim das línguas e literatura. Deveria ter ficado somente nisso? Impossível, porque o dinheiro não dava. Além do que, nunca consegui dar ao exercício de fazer literatura de ficção ou poesia o status de "profissão" que certas pessoas têm o desplante de dar.

Escrever literatura, do meu ponto de vista, é como jogar um jogo daqueles de quando se era criança, eu disse outro dia por telefone ao escritor Raduan Nassar. Eu gosto, sempre gostei muito de brincar. Quando menina, atribuía ao ato de brincar uma importância de vida ou morte. Continuei assim com o passar dos tempos. Escrever é uma sensação boa como essa - de ir construindo e reconstruindo a minha sina a cada boneca ainda, a cada árvore escalada, a cada cabra-cega encenada, a cada corrupio rodado. Ponto final. Não há paixão, não há escola literária nem teoria - nem grupo de escritor no chá das cinco ou no balcão do bar, nenhuma dessas mitificações idiotas.

A área das artes é cheia dos grupelhos de falsos talentos bajulados e bajuladores. Admito a crise profissional depois de velha. Pergunto-me ainda se deveria ter permanecido na academia. Também não deu. A rigidez do método me sufocava. E sempre achei a academia, em certo aspecto, um ninho de cobras...inofensivas, é bem verdade, pois que só devoram umas às outras. Na minha época, na faculdade de Letras da USP, no fim dos anos 70 ou começo dos 80, o marido de uma orientanda arrancou um pedaço da orelha do orientador da infeliz - um conhecido professor da faculdade. Foi durante uma briga no elevador, por motivo de suposta apropriação que o orientador fizera do trabalho da orientanda. Coisa do tipo. De modo que, canibalismo por canibalismo...

Falei outro dia por telefone com o escritor Raduan Nassar (só não o chamo de ex-escritor porque a classificação não faz sentido - uma vez tendo escrito, está marcado eternamente) (Para quem não sabe, Raduan diz ter desistido de escrever para sempre). Duvido que ele me autorizasse a falara sobre isso aqui, mas, para certas coisas que julgo inofensivas não peço autorização. Somos mais ou menos amigos. Raduan e eu. Menos por ele ser uma escritor a quem respeito muito e mais por ser uma pessoa de uma divertida mistura de bom humor com mau humor - uma mistura de pessimismo com otimismo com a qual me identifico.

Somos apenas mais ou menos amigos porque nem nos conhecemos tanto assim nem nos vemos muito. Mas algo nele eu conheço bem ... O humor...Ou, quem sabe, sermos do mesmo signo do zodíaco, Sagitário...Quem sabe, ainda, uma acertada dose de sarcasmo (que eu, confesso, aprendia cultivar depois de velha, mas que sempre admirei nele). Ou talvez seja a herança árabe dele, filho de libaneses. Gosto muito dessa cultura.

Deve ser também, por último, mas não menos importante - um quê de "O Velho e o Mar" estampado no seu jeito de ser. Quer dizer, ele me falou um dia sobre esse sentimento de chegar ao fim da vida carregando pesadamente nas costas apenas o esqueleto do objeto pelo qual tanto se batalho na vida toda (o esqueleto do peixe, no caso do velho pescador de Hemingway). Desde então, olho para ele com a mesma reverência de quem olharia para o personagem hemingwayano transfigurado em gente.

No início de nossa conversa por telefone, primeiro reclamamos da vida, amaldiçoamos quase tudo, soltando muxoxos e suspiros contra a sacanagem em que estão transformando o país e o mundo. Mas depois gargalhamos, como sempre. E a gargalhada de Raduan Nassar é das melhores que já ouvi. Ele reclamou da pilha de jornais e revistas acumulados num canto da casa. Porque não tem nenhuma vontade de ler, nem tempo, que passa mis da metade do mês no interior do Estado. "Porque não pára de assinar essas merdas?", perguntei. "Pois eu já não tenho esse problema. Não assino mais nada. Não leio nem pela Internet. Minha vida ficou mais saudável sem isso". Ele aderiu á idéia. Admitiu que já estava pensando em tomar atitude semelhante.

Pena que na ocasião eu não tinha recebido ainda uma mensagem que me mandaram por correio eletrônico outro dia, com o texto de uma suposta jornalista chamada "Veruska", uma crítica feroz e bem-feita da atual imprensa chinfrim, a serviço da classe dominante e burra, que cerrou fileiras junto à politicalha de peessedebistas, peefelistas e coadjuvantes da esquerda ressentida para derrubar o governo Lula.

Reproduzo aqui um trecho que eu leria para Raduan: "Salvo as raras e honrosas exceções confirmadoras, o Brasil tem hoje a pior imprensa que já teve desde que vendidos e golpistas como Carlos Lacerda e David Nasser bateram as botas. A começar pelas "estrelas" dos noticiários e programas de entrevistas. (...) E o que temos na mídia impressa? A revista "Veja". A revista "Veja" merece um capítulo à parte, pois já deixou de ser uma publicação jornalística, para embarcar no gênero ficcional com narrativa de literatura fantástica. (...) O pior é que, ao embarcar na literatura de ficção fantástica, a Veja deveria ter, pelo menos, treinando seus repórteres, distribuindo um exemplar de "Os Cavalinhos de Platiplanto", clássico do gênero, escrito por J.J.Veiga.

A boa referência literária faria com que as criaturas, pelo menos, conseguissem imaginar uma historieta melhor do que esta de Fidel mandando ao Brasil dinheiro para financiar a campanha de Lula. E ainda escondido em caixas de uísque. Porque não caixas de charutos, que seria mais verossímil? Ou será que Fidel invadiu o Paraguai desde 2002 e a gente ainda não sabe? As outras publicações chafurdam num mar de jabaculês, sensacionalismo e ignorância. Nem escrever corretamente em português conseguem mais. Mas, é essa imprensa sem preparo e totalmente comprometida com as forças conservadoras que formam a opinião da classe média brasileira. A classe média brasileira que é tonta, idiota e tem péssima formação educacional. Quem chega a fazer faculdade, nunca mais lê um livro, depois que se forma. Quando lê, é auto-ajuda, escrita pelo Lair Ribeiro. Mesmo assim, essa turma acha que é bem informada às custas de Vejas, Épocas, Folhas, Globos e se sente elite, adotando as idéias e comportamentos da gentalha da mídia, que forma sua opinião.

Já a elite de verdade é hipócrita, canalha, egoísta e cruel. Tem ódio de Lula, por ser mestiço, nordestino e pobre. Acha um insulto ser governada por ele e se pudesse já o teria tirado do poder na ponta da baioneta, como fez com João Goulart, quem nem pobre, nem nordestino era, apenas um moderado socialista. É uma elite pobre de cultura e formação, composta por quatrocentões decadentes, descendentes de degradados, que se julgam nobres e por emergentes ridículos que se sentem quatrocentões. Uma elite ignara, que compra livros como se fosse azulejos, para decorar paredes. E é uma elite burra, que nunca leu Gilberto Freyre nem Adam Smith e não aprendeu eu, até ara poder continuar a habitar a casa-grande, precisa deixar a senzala comer um pouco melhor".

* Escritora e jornalista

Fonte: Caros Amigos


Escrito por NOOS às 12h41
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   SERRA CRITICA ‘SOBREPREÇO E DESPERDÍCIO’ EM BRASÍLIA

Prefeito diz que compras na administração lula seguem a ‘linha mole’

O Estado de São Paulo – Nacional – 27/dezembro/2005

Por: Clarissa Oliveira

O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), sugeriu ontem que o governo federal siga seu exemplo no âmbito municipal e adote uma política de redução de gastos públicos. Na inauguração da estrutura de alvenaria de uma escola de lata na zona norte da capital paulista, Serra fez duras críticas à gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e estendeu suas declarações ao governo do presidente Lula, afirmando que está sendo adotada uma “linha mole” nas compras federais.

“No governo federal, também não se dá muita bola para custos. Quando se governa orientado por marketing e para a linha mole, em vez da linha dura, no que se refere às compras, dá nisso: sobrepreço para todo o lado e desperdício de dinheiro público”, afirmou Serra.

Ele disse que a gestão do PT em São Paulo “pagava qualquer preço” e que se beneficiava de um sistema de superfaturamento. Segundo Serra, já foram economizados R$ 250 milhões com a renegociação de contratos municipais em São Paulo, número que poderá se aproximar da casa dos R$ 400 milhões com o novo sistema de licitação adotado para o programa Leve Leite e com a economia de cerca de R$ 90 milhões com a renegociação de contratos de lixo.

No caso do Leve Leite, a Prefeitura reduziu o gasto anual em R$ 40 milhões. Serra anunciou que uma parcela de cerca de R$ 22 milhões deste montante será utilizada para distribuir leite também nos meses de férias, a partir de janeiro. E destacou que a nova licitação permitiu reduzir o custo do quilo do leite em pó de R$ 9 para R$ 5,94.

Ao comentar especificamente o caso do lixo, o prefeito afirmou que os contratos desta área foram, talvez, “a pior herança” deixada pela gestão Marta.

Serra inaugurou a estrutura de alvenaria da Escola Municipal de Ensino Fundamental Zilka Sallaberry, na Cachoeirinha, que até então era de lata. O investimento foi de R$ 2 milhões. O prefeito beijou e abraçou crianças, posou para fotos e até dançou ao som de rap.

Comentário do Blog: É verdade prefeito, é verdade!!! Desperdício é uma coisa “linha mole”. O que faltou dizer são duas coisas: 1) Sobre a ‘Máfia do Sangue’, da época em que o Sr. era o Ministro da Saúde. Só para refrescar: Superfaturamento dos derivados de sangue; 2) Não sei se na linha do desperdício, mas do ‘apadrinhamento’, eu pergunto: E o “Programa São Paulo é uma Escola”? Qual o nome da Organização Não Governamental responsável por ele? Quem preside? Quem dirige? Onde é a sede? O nome é por quê mesmo?



Escrito por NOOS às 14h56
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